A agonia de existir e de tomar decisões que nunca saberei se eram boas ou más e se me levariam a onde eu sequer sabia se era lá que eu queria chegar me impulsionaram a de fato fazer algo por mim mesma no alto dos meus quase quarenta anos: resolvi dar vazão a enxurrada de sentimentos e pensamentos que frutificam no meu peito desde há muito e que ficaram sufocados por intermináveis anos, fazendo-me ser quem eu sou, esse ser questionador e ambíguo, louco por palavras e doses de conversas e histórias; vomitando desejos e sonhos a jorrar a todo instante. Como pude ficar tanto tempo sem essa sensação de alívio, de chuva de fim de tarde, de som de jaz tocando ao fundo do corredor de prédio antigo, de mato molhado, de cara de criança que acabou de ganhar um doce?
Como é bom estar em êxtase e achar que o seu estado de espírito pode alterar a natureza das coisas e o humor das pessoas ... Se (eles) soubessem como essa pressa toda não tem essa importância que achamos que e que vale mais mil vezes conseguir avistar um vaga-lume ou um pardal que seja, mas que diante de tanta beleza não tenhamos pressa e sim fome, de tudo, de ler, de escrever, de estudar, de ser gentil ou engraçado, de ser leve ou amado, de ter ousadia para ser quem se é e sentir tudo a sua volta como ouso experimentar agora no auge dos meus quase quarenta anos!
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